quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · Santa Teresa, ES InstagramYouTube
Entretenimento

Ofidiário do MBML reabre com nova exposição sobre serpentes brasileiras

Caninana MBML

O Ofidiário do Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML), em Santa Teresa (ES), volta a receber visitantes a partir desta terça-feira (27). Após passar por um processo de modernização, o espaço foi adaptado para oferecer melhores condições aos animais e uma experiência mais didática e acessível ao público.

A principal atração da reabertura é uma nova exposição dedicada às serpentes da Mata Atlântica. Além da observação de espécies vivas, como a jararacussu, cascavel, caninana e suaçubóia, o visitante encontrará painéis informativos, modelos anatômicos e recursos visuais que explicam características como dentição, hábitos alimentares, comportamento e papel ecológico desses répteis.

“Pensamos a exposição para desmistificar o medo das serpentes e promover o conhecimento, mostrando sua importância ecológica”, explica Mariana Furtado, médica-veterinária e gestora do zoológico do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), instituição responsável pelo MBML.

Diversidade pouco conhecida

Estima-se que a Mata Atlântica abrigue cerca de 200 espécies de serpentes, das quais aproximadamente 50 são endêmicas, ou seja, ocorrem exclusivamente nesse bioma. Apesar da imagem frequentemente associada ao perigo, 80% dessas espécies não possuem veneno e a maioria dos acidentes registrados com serpentes no Brasil é considerada de baixa gravidade.

“A falta de informação faz com que serpentes como jararacas e falsas-corais sejam mortas indiscriminadamente. Isso afeta o equilíbrio natural e contribui para o declínio de suas populações”, alerta a herpetóloga Thais Condez, pesquisadora do INMA.

Papel ecológico essencial

Segundo os especialistas, todas as serpentes, peçonhentas ou não, têm funções importantes nos ecossistemas. Elas atuam como predadoras de roedores, aves e outros pequenos animais, ajudando a manter o equilíbrio das cadeias alimentares. Além disso, compostos presentes na saliva e no veneno desses animais vêm sendo estudados com potencial farmacêutico para o desenvolvimento de medicamentos.

“Conservar as serpentes é também preservar potenciais descobertas científicas”, acrescenta Thais.

Função educativa e científica

Mais do que uma atração turística, o Ofidiário cumpre papel relevante na pesquisa científica e na conservação ambiental. O espaço integra o Zoológico do INMA e atua como centro de estudo, contribuindo com informações sobre a biologia e comportamento das serpentes, além de incentivar a preservação da biodiversidade.

“A nova proposta da exposição reforça o papel da ciência aliada à educação. Nosso objetivo é sensibilizar a população sobre a relevância dessas espécies para o equilíbrio do bioma”, explica Flávia Chaves, chefe da Divisão de Pesquisas e Programas do INMA.

A exposição será atualizada periodicamente, com novas informações e recursos educativos. O MBML abre de terça a domingo, das 8h às 17h.

História preservada entre serpentes e beija-flores

O edifício que hoje abriga o Ofidiário tem valor histórico. Construído em 1947 e inaugurado em 1956 pelo naturalista Augusto Ruschi, foi inicialmente idealizado como viveiro para criação e estudo de beija-flores. Na época, recebeu o nome de Trochilidário Drs. Jacques Berlioz e Ettienne Beráut, em homenagem a dois renomados estudiosos franceses da fauna.

Durante a gestão de José Tabacow, entre 1986 e 1992, o espaço foi transformado em Ofidiário, passando a abrigar serpentes em vez de aves. Agora, com a recente reforma, o local renova seu compromisso com a educação ambiental, a ciência e a conservação da natureza.

Notícias de Santa Teresa e região. OCN O Jornal de Santa Teresa
Siga-nos no Instagram: @ocolibrinews

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ao vivoRádio - OCN ( Programação ao vivo )