Antiga residência de inverno do governador agora é campus científico
O Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) transferiu parte de suas atividades administrativas e científicas para o Ecoparque da Mata Atlântica Augusto Ruschi, às margens da ES-261, em Santa Teresa.
Segundo o diretor do INMA, Sérgio Lucena, a mudança é estratégica para a expansão:
“O INMA, como instituto nacional, precisa crescer. O parque do Museu de Biologia Professor Mello Leitão, apesar de histórico e simbólico, não comporta a estrutura necessária para novas pesquisas e acervos.”
Linha do tempo: da residência de inverno ao campus do INMA
1967 – Aurélio Gramlich, amigo de Augusto Ruschi, doa a área ao Governo do Espírito Santo para construção de um parque e residência de inverno do governador.
2004 – Lei Nº 7.954: Estado cede a área ao município de Santa Teresa para instalação de um Centro de Treinamento em Educação e Meio Ambiente.
2010 – Lei Estadual Nº 9.606: Governo doa a área ao SESC para construção de um hotel e projetos de turismo e lazer, com investimento previsto de R$ 35 milhões.
2012 – Inauguração do Parque Ecoturístico de Santa Teresa, com recursos municipais e federais. Espaço não é aberto ao público.
2013 – Ambientalistas entram na Justiça contra a doação da área ao SESC.
2022 – Assembleia Legislativa realiza audiências públicas; população defende a manutenção do parque.
2023 –
- SESC desiste do hotel.
- INMA solicita terreno para campus de pesquisa.
- Deputado Fabrício Gandini protocola projeto para revogar a Lei Nº 9.606.
- Governador Renato Casagrande sanciona a Lei Nº 11.969, autorizando a doação à União para uso do INMA.
2024 – Estado e INMA assinam Termo de Permissão de Uso; instituto assume a gestão e inicia manutenção e reformas.
2025 – INMA transfere parte de suas atividades administrativas e científicas para o Ecoparque.
Ciência, conservação e acesso público
O espaço de 100 mil m² abriga agora laboratórios, áreas administrativas e parte dos acervos do INMA. A proposta é transformar o Ecoparque em um centro de pesquisa, conservação e lazer para a população.
O projeto prevê trilhas ecológicas, mirante para observação de aves, museu interativo, exposições imersivas, praça de alimentação e espaço cultural.
“É um projeto arrojado e inédito no Espírito Santo, unindo ciência, conservação e acesso público”, destaca o diretor Sérgio Lucena.
Preservação ambiental e segurança do acervo
O INMA também pretende substituir espécies exóticas, como eucaliptos, por árvores nativas da Mata Atlântica, além de recompor a vegetação ciliar do córrego local.
Parte do acervo biológico – hoje com 130 mil espécimes da fauna e 54 mil registros botânicos – deve ser transferido para o Ecoparque, garantindo mais segurança contra enchentes, que já afetaram o Museu de Biologia Professor Mello Leitão.
“A migração para o Ecoparque vai garantir a segurança dos acervos e estrutura laboratorial adequada”, explica Pedro Lage Viana, coordenador de Ciências do INMA.
Santa Teresa, cidade da Mata Atlântica
Com dois campi — Museu de Biologia Professor Mello Leitão e Ecoparque Augusto Ruschi — além de estações biológicas, o INMA reforça a identidade de Santa Teresa como capital da Mata Atlântica e terra de Augusto Ruschi, naturalista símbolo da conservação ambiental no Brasil.
Fontes:
- Entrevistas com Sérgio Lucena, Celio Rozado e Pedro Lage Viana (2025).
- Leis estaduais nº 7.954/2004, nº 9.606/2010 e nº 11.969/2023 (Ales/ES).
- Histórico do INMA (Instituto Nacional da Mata Atlântica).
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